julho 29, 2009

Branca de alma negra


Quem me conhece sabe que sou uma branca de alma negra. Sempre me identifiquei com a música do Rappa que diz:

“Branco, se você soubesse o valor que o preto tem, tu tomava um banho de piche, branco e, ficava preto também”

Amo samba, adoro o som e a ginga da capoeira, invejo a pele e a massa muscular dos negros (em três meses de academia ficam com a barriga rasgada, um arraso isso! Quase não mostram a idade, não ficam vermelhos na praia, correm pouco risco de câncer de pele, enfim, tudo de bom). Admiro a história de luta que tiveram e fico arrepiada com a música “Identidade” do Jorge Aragão.

Por tudo isso ainda me espanta o preconceito que existe por aí. Por que um negro com uma branca ainda chama tanta atenção? Por outro lado, por que é difícil ver um negro de destaque com uma esposa negra? Robinho, Pelé, Seal são apenas alguns exemplos. Se estiver sendo injusta, por favor, me apontem outros casos mas, neste momento, só consigo lembrar de Obama e Michelle.

Considero Obama um exemplo para negros, brancos, pardos, enfim, para a humanidade. Um exemplo de determinação e luta. Ainda bem que pude vivenciar sua vitória. Acho ainda mais surpreendente que esta eleição tenha acontecido nos EUA. Há 10 anos, quando fiz intercâmbio, parei um negro na rua para pedir informação. Antes de responder, ele me perguntou de onde eu era. Achei que fosse pelo sotaque, mas logo em seguida ele me disse: “sabia que você era estrangeira, um americano branco jamais pediria informação a um negro, se tivesse outra opção”. Isso aconteceu em uma cidade pequena, talvez a reação tivesse sido outra em NY, mas fiquei chocada mesmo assim.

Acho a eleição de Obama um marco internacional. Espero que outros venham por aí. Quero estar viva para ver o dia em que no Brasil, nos EUA e no mundo todo, a única divisão das pessoas seja entre bons e maus, independente de raça, credo e classe social.

Espero viver em uma sociedade que considere o preconceito tão absurdo e tão inimaginável que não seja necessário prever uma punição para ele na Constituição.

Quero que chegue uma época em que ninguém se ache superior aos outros, que nenhuma religião se proclame como o único caminho. O dia em que caráter, ética e profissionalismo sejam mais importantes que bajulação e troca de interesses.

Viagem? Sonho? Talvez. Não é à toa que chamei o blog de “pérolas de insensatez”.

2 comentários:

  1. Amei! Sonho com isso também!

    Parabéns pela postagem, pela sensibilidade e pelo caráter!

    Beijo Grande

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