novembro 30, 2009

Quatro Estações


Desfolhei-me
Tal qual árvore no outono
Despi-me de corpo e alma
Louca de paixão, nada via
Não percebi que o inverno viria
Esperava o calor do sol
Surpreendeu-me, porém, a ventania
Que tola! Ao outono segue-se o inverno
Como eu não sabia? Jogada na dura realidade
Senti minha alma fria
Ventos uivantes embaralharam minhas emoções
Sonhos e mágoas se misturaram em um redemoinho
Como resultado, lágrimas
Meus olhos outrora brilhantes
Passaram dias embaçados
Vivi em luto, desisti de tudo!
Mas recuperei a razão, percebi o absurdo.
A felicidade é interna
Ninguém além de mim pode ser responsável por ela
Resolvi apostar novamente
Esperar pela primavera.
Receava ser enganada pelas flores
O coração permanecia amedontrado
Os pensamentos meio conturbados
Felizmente, fui hipnotizada pelo canto dos pássaros
E voltei a enxergar a exuberância do jardim
Tive nova chance, um novo despertar
Em uma bela noite
Chamou-me atenção um olhar
Veio em minha direção
Não era um estranho, era amigo
Além de tudo, lindo! Um colírio!
Que aos meus olhos devolveu o brilho
Livrou minh’alma do martírio
Nada sobrou do inverno sombrio
Dele não permiti registro
Tristeza não merece espaço
Mas o outono é diferente
Dele resta-me o aprendizado
Lembranças presas aos neurônios
Tais quais folhas secas
Que permanecem presas aos galhos
Dizendo à árvore dia-a-dia:
És forte! Confia em tua raiz
Amigos, família, amor verdadeiro
Se os tem, para sempre serás feliz.
Faltava ainda uma estação
Aprendizado registrado,
Entreguei-me então à tentação
Juntei ao amor verdadeiro uma dose de paixão
Muita cumplicidade, pitadas de ousadia
Corpos ardentes, desejo pagão
Permiti-me o êxtase,
abandonei de novo a razão
Deixei-me consumir pelo calor
E degustei sem pressa o verão.