dezembro 20, 2010

Para viver um grande amor



Para viver um grande amor
Necessita-se de vontade
Não existe cara-metade
Os defeitos fazem parte
Há de se saber relevar

Para viver um grande amor
Deve haver cumplicidade
Flexibilidade para mudar a si mesmo
Não o peça ao companheiro
Não é justo, nem lisonjeiro
Aceite-o sem lhe alterar

Para viver um grande amor
Deve-se encontrar a pessoa certa
Um sócio, amigo E amante
Se for apenas um ou outro
Algo vai lhe faltar

Para viver um grande amor
Deve-se superar obstáculos
Fazer da vida um espetáculo
Cada cena um grande ato
Sem nunca se acomodar

Para viver um grande amor
Há de se manter o desejo
Suspiros, paixão e beijos
Admiração não pode faltar

Para viver um grande amor
Há de se ter a certeza
da escolha ter sido certeira
Para o amor nunca acabar

Você vive um grande amor?
Declare-se sem medo
É como achar agulha no palheiro
Sorte maior não há

Agora, sigo meu conselho
Fred, marido e companheiro
Amo-te por inteiro
Sócio, amigo e amante
Para sempre serei seu par

Mas se vale o aviso
Cabe-me recomendar
Para viver um grande amor
Não existe receita pronta
Leia a minha, a de Vinícius
Mas só a sua funcionará!

setembro 28, 2010

Sentimentos na cozinha


Paixão é chocolate quente
Doce desejo insaciável
Invade a alma da gente
Arde, é forte, é aguardente,
Evite tornar-se dependente,
Não se deixe viciar.
Gula de paixão não engorda
Mas pode lhe fazer enfartar!

Cuidado, então, meu amigo!
Coração disparado é um perigo,
Não correspondido é sofrido,
Deve-se evitar este atrito
Ser prudente ao se entregar

Acenda o fogo de longe
Deixe esquentar devagar
Vá com calma no refogado
Não deixe queimar o assado
Errar o ponto do prato
Faz na alma um estrago
Não vale a pena arriscar

Mas se a mistura deu liga
Invista no Romeu e Julieta
Não dispense a lua de mel
Aqueça em banho-maria
Mantenha bem longe o fel

Já é hora de aumentar a chama
Levar a bagunça pra cama
Deixar a noite rolar
Relaxe! Pode se entregar
Sonhos de doce deleite
Esses não podem faltar!

Agora o cuidado é outro
Convém proteger seu lar
Excesso de amor sem chuvisco,
Pode lhe fazer enjoar
Encontrou o segredo da receita?
Não a deixe desandar
Mesmo com bem-casados,
Feijão com arroz pode cansar
Ouse no menu, evite rotina
Deixe a água com açúcar no altar
Que os puritanos me perdoem
Sem pimenta não posso ficar

setembro 04, 2010

Transição


Nascimento, formatura
Grande amor, casamento
Caridade sem cobrança
Sorriso de agradecimento
Momentos de ternura
Um ombro, um alento
A humanidade se mostra pura
Na beleza destes momentos

Quero este mundo belo
Realizar qualquer anelo
Viver em meio à bondade
Provocar contentamento
Quero causar brilho nos olhos
Faíscas de amor eterno
Seja por meio da arte
Ou de qualquer outro instrumento

Em que caminho eu encontro
Tal cerco de encantamento?
Defensoria pública?
Fotografia de casamento?
Posso ser cerimonialista?
Designer, chef, estilista?
Como posso, depois dos 30,
Ter este tipo de pensamento?!

Se me guio pela razão,
Sonhar assim é tormento
Guiada pela emoção,
Não limito meu sonho ao tempo

agosto 29, 2010

Ciúme


Sempre fui contra ciúme
Quando não é insegurança
É desconfiança, desune
Minha vida seguiu assim
Ciumenta não era adjetivo pra mim
Sou imune à mãe, amigas, admiradoras
Se há respeito, não gasto meu latim
Mas perdi a imunidade
Cronos despertou este cupim
Que corrói a alma
Perturba a calma
Pulveriza a auto-estima
E dia-a-dia me azucrina
Quero nova dose da vacina
Livrar-me deste peso ruim
Eta sentimento insano
Surge contra o hobby ou o papo de botequim
Em qualquer hora livre não dedicada a mim
Quero você full time
Será que o admito enfim?
Ciumenta e egoísta
Ai, cruzes! Quem diria?
Me envergonho, não confesso
Antes de admitir, me despeço

julho 20, 2010

Amor de Casal




Amor de casal
Como definir?
Não é só carinho
Não existe sozinho
O coração não lhe basta
Precisa de pele, química, mágica
Amor de casal, carnal
Desejo é seu elixir
Pois é, não me leve a mal
Se o sangue não ferve
Se falta arrepio
Chegou ao final
Adeus, tchau!

Humm, mas se não falta desejo
Se o corpo treme com um beijo
Se não existe lugar ideal
Tudo é uma grande brincadeira
A cumplicidade é verdadeira
Aí sim, é amor de casal

Se o pecado não mora ao lado
Mas vive contigo abrigado
Se ao vê-lo morde-se os lábios
Se há luxúria e paixão
Aí não resta dúvida
É amor de mulher e marido
Suspiro, intensidade, volúpia
Núpcias eternas, libido
Aí sim é casamento ideal




Homenagem


Lágrimas escorrem
Coração espremido
Dor inédita
Perdi um amigo
Não senti pela partida
Não gosto de despedida
A lágrima desce na vida
Ao ouvir uma música
A batida que lhe era querida
A dor não é pela morte
É pela estrada interrompida
Pela filha que crescerá sem pai
Pelos sonhos que ficaram pra trás
Pelas alegrias que viriam
Pelo nada mais, nunca mais
Adeus, amigo, fique em paz

P.S. Aos que querem entender a foto, meu amigo Jairo era tricolor doente. Morreu aos 23 anos, com toda a vida pela frente. Hoje, no dia do amigo, lembre-se de dizer a todos os seus amigos que eles são muuuito importantes!

julho 13, 2010

Folhas



Quando prendi meus pés na terra?
Por que deixei secar o piche?
Quão funda está a raiz?
Tento me soltar, é em vão
Que tal me aproveitar da seiva então?
Sorver alimento, inspiração
O caminho à copa é tão longo
Folhas acabam por secar
Nutre-se a raiz, a razão
Sufoca-se a imaginação
No controle, o cérebro tirano
Prende meus sonhos em teias
Nas nervuras da vida real
Eu quero mais que isso
Oxigenar os neurônios
Quero ar, vôo, voar
Um balde para chutar
Quero me livrar da angústia
Preciso me desafiar
Quero um sonho apaixonante
Uma meta que me levante
Que traga brilho ao meu despertar
Fazer da vida uma curva ascendente
Ganhar as lutas sem cerrar os dentes
Quero aproveitar o presente
Sem o ônus do futuro à frente
Sem a ameaça que vive lá
Lá moram os quilos da torta de hoje
A fatura do cartão de crédito
O preço do balde que chutei
Culpa! Não quero este peso nas costas
Quero viver contente
Sempre cercada de gente
Com muita gargalhada
Ficar mais relaxada
Quero curtir meu marido
Sussurros ao pé do ouvido
Quero agarrar pai, mãe, irmã
Quero abraçar meus amigos
Quero mais prazer, menos cobrança,
Mais folha, menos raiz
Quero a espontaneidade da criança
Quero me permitir, me libertar da sina
Do excesso de responsabilidade que me domina
Da falsa segurança que me prende
Do martelo que me faz de prego
Das batidas que me fincam ao chão
De tudo que me vetei desde menina

junho 03, 2010

Cicatrizes


Cicatrizes escondem beleza
Representam regeneração
São uma nova chance
A vida nas nossas mãos
Meu corpo está cheio delas
O que me pôs a pensar
Elas contam a minha história
Fui eu quem as pus por lá
Algumas são frutos de vaidade
Outras, de irresponsabilidade
Atos impensados, erros atrozes
Somos nossos próprios algozes
Mas não sou delas refém
Essas são marcas do bem
Alertam para o risco do que vivi
Me dizem que ainda estou por aqui
Mas há cicatriz mais feroz
A de um coração retalhado
Deixa-lhe inerte, empalhado
Não vibra, não ama, não pula
Coração que não tem mais gula
Não anseia por adrenalina
Receia, não vive,
E se acha muito sagaz
Cicatriz de amor é perigosa
Pode até ser mortal
Com medo de um novo retalho
Qualquer sentimento é frugal
Sic-a-triz. Ops, foi por um triz
Quase embarquei nesta sina
Por pouco não fui infeliz
E me enfiei nesta sobrevida
Mas enfim não foi isso que fiz
Minh’alma afastou as cinzas
Lutou por aquilo que quis
E tal qual fênix voou
Nada lhe era letal
Estava em busca do tal
Não desistiria de sua gêmea
Do macho da qual era fêmea
Aquele que lhe mereceria por inteira
E foi nesta busca insana
Destemida e soberana
Que encontrou a verdadeira
Sua metade da laranja
A quem amaria sobremaneira

maio 13, 2010

Crônicas de um casamento (o meu) – Parte II



Começamos esta nova vida com um brinde na suíte, mas queríamos começar a festa logo, então não demoramos muito por lá. Descemos as escadas para as fotos com pais e padrinhos.

Antes, uma surpresa para pessoas tão especiais: entregamos caixinhas com lembranças e cartas para pais, daminha, pajem e padrinhos, as pessoas mais importantes das nossas vidas, com quem escolhemos compartilhar o momento no altar.

Pausa para falar das caixinhas: meu noivo (ou namorido, como eu costumava chamá-lo) preparou as caixinhas ele mesmo: ele pintou, forrou, colou a foto, as nossas iniciais. Ele decidiu o que deveríamos colocar dentro. Ele merece muitos parabéns por esse e outros pontos altos da festa, como vocês vão acompanhar a seguir.

As fotos tradicionais em volta do bolo foram tiradas sob a emoção causada pelas cartas e a ansiedade pelo início da festa. Nesta afobação, esquecemos de tirar fotos na mesa de bem-casados e na mesa de chá e chocolate. Estas vão ficar sem registro, sem arrependimento nenhum. Queríamos comemorar este projeto que demorou mais de um ano para se concretizar.

Então, em poucos minutos, voltamos para a festa. Quando chegamos ao salão, pétalas caíram do céu para abençoar o casal do qual eu fazia parte. Nossa! Quem diria? Estado civil: casada!

Nossa primeira música foi Everything do Michael Bublé. Não treinamos nada, mas achei lindo mesmo assim (claro que sou uma opinião suspeita...)

Depois de um pequeno discurso de agradecimento, abrimos nosso boteco com a máxima “nunca fiz amigos bebendo leite”. Para a surpresa de todos os convidados, começou o samba do Nó molhado, mais um ponto alto proporcionado pelo meu marido.

Era o nosso casamento, com o nosso jeitinho, nossos amigos e a descontração que queríamos passar. Cada detalhe do boteco foi bem pensado: avental dos garçons e logo de madeira inspirada na Brahma (idéias do namorido), caixinhas de fósforo para batucar (sugestão minha), mosaico “Bar doce bar”, rótulo da cerveja, bolachas de chopp e o letreiro com a nossa logo. O letreiro foi presente de um amigo do Fred (Leandro Peres) e a logo, de um amigo meu (Vicente Sarmento). Mais perfeito, impossível: amizade e amor merecem esta cumplicidade. Também teve São Jorge, feijoada, comidinhas de boteco, cachacinhas.

Pensou que as surpresas do meu marido acabaram? Nada disso! Ele pegou o pandeiro e o microfone e entrou no grupo. Me fez um homenagem e cantou a nossa música (Água de chuva no mar).

Depois de 1 hora de samba, a pista continuou bombando durante todo o tempo. Eu parecia pipoca, de grupo em grupo, querendo dançar com todos e agradecer a presença de todos. Queria ter registrado cada momento, cada pessoa. Ainda não sei se os fotógrafos e cinegrafistas conseguiram. Mas o sentimento só eu posso registrar e é isto que estou tentando fazer ao descrever cada detalhe, cada música...

Sambamos, dançamos hip hop, funk, axé e até a Macarena coreografada. Este foi mais um ponto alto proporcionado pelo meu marido: por idéia dele fizemos o site com a equipe do icasei. Lá, ele fez uma enquete se deveríamos ou não tocar a Macarena e a maioria votou pelo sim! É, não tinha jeito: fomos lá para a frente e dançamos a música inteirinha com a festa toda acompanhando os passos.

Depois da Macarena, vale tudo! Teve Wando, Sidney Magal, dançamos com flores na boca... é, o amor é brega :P

Meu buquê deixei para Nossa Senhora da Conceição e joguei um Santo Antônio lindo que foi mirado (quase entregue em mãos) da minha amiga e madrinha Cris.

Já eram quase 2h da manhã, quando consegui arrastar meu marido par o hotel. Por mim, esta noite não acabaria nunca...

Nossa história deu samba! Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, meu sonho foi feito de samba, de samba pra gente sambar.

maio 10, 2010

Crônicas de um casamento (o meu) – Parte I



Não fui do tipo de menina que acreditava em contos de fada. Nunca acreditei que seria salva por um príncipe encantado e que minha vida seria um inacreditável “felizes para sempre”. Nunca vi o encontro amoroso como única e suficiente causa da felicidade.

Quando criança, não brincava de bonecas e nem de casinha. Gostava de jogos de estratégia, de conhecimentos gerais, brincava de pique, queria estar cercada de amigos. Também busquei ser a nerd do colégio em prol do sonho de me tornar uma profissional bem sucedida.

Além de independente, queria ser livre para conhecer o mundo e encontrar pessoas, lugares, comidas, culturas exóticas que ampliassem minha cabeça e deixassem fluir minha imaginação. Enfim, estava mais para Mulher Maravilha (sem os super poderes) do que para Cinderela.

Em 2008, alguma coisa mudou e não foram os meus sonhos Foi a percepção de que posso sonhar acompanhada. No dia 19/11/2008, eu e o Fred marcamos a data do nosso casamento, o dia que se tornou o MEU conto de fadas!

Sábado, 01.05.2010 – Acordei cedo, coloquei o nome das amigas solteiras na bainha do meu vestido. Na anágua, dois lacinhos azuis. Não queria burlar nenhuma tradição. Usei “something old, something new, something borrowed, something blue

Parti para o Sheraton com meu pai herói ao lado. Lá uma varanda de frente para o mar me esperava. Logo chegariam meu amigo e milagroso Gilson, minha mammy e minha tia-madrinha.

Passei a tarde me preparando para a grande noite, aquela planejada mais de 400 dias antes. Foi um ritual de cuidados: cabelo, maquiagem e, aos poucos, me transformei na princesa que nunca sonhara ser.

Já pronta, desci para as fotos. Me senti uma modelo que, afinal, são as princesas modernas. Muitos cliques e chegou a hora de ir. Minha mãe e minha tia – lindas – partiram na frente. Encontrei meus sogros e primos que estavam hospedados no mesmo hotel e, de motorista, fui para a Vale da Boa Vista.

Meu pai e a Carolina Pires, fotógrafa premiada, amiga e fiel escudeira, foram comigo.

Chegando à casa de festas, fui levada para a suíte. Estava vivendo um sonho que, embora nunca tivesse povoado a minha imaginação, se tornou realidade.

Não sei se foi obra do acaso, mas tenho certeza de que houve uma mãozinha de Deus e do amor. Amor com todas as letras, de todas as formas. Amor de pais, de filha, de esposa, de marido. Amor de amigos, de parentes, de todos que estavam presentes.

Na suíte, me senti como Rapunzel, presa. Me agoniava não poder participar de tudo. Deixei a porta entreaberta e deixei a imaginação voar. Com as músicas, que ainda ecoam na minha cabeça, imaginei meu noivo e futuro marido chegando ao altar. Imaginava cada passo enquanto tocava St Preux Divertissement. Depois, minha mãe e padrinhos, com “All you need is love”na versão do filme “Love Actually”. Após minha daminha linda e o meu pajem gentleman entraram ao som de “Somewhere over the rainbow”.

Enfim, chegou a hora da marcha nupcial. Só neste momento fui liberta da torre e pude participar da festa. Com meu pai ao meu lado, eu só via sorrisos, cliques e brilho nos olhos. Tudo isso vinha em minha direção. Era impossível não sorrir. Atravessei o tapete vermelho sem deixar de sorrir um minuto sequer. Meu noivo me esperava lá na frente... Que sonho! Que sensação indescritível!

A cerimônia foi breve, trocamos as alianças com I’m yours, de Jason Mraz e saímos com Oh, happy day tocando. Realmente não poderíamos ter escolhido uma música melhor. Saí com o marido ao lado, aliança na mão esquerda e o buquê como troféu. Meu prêmio pela grande conquista que é entrar em uma outra fase da vida!

abril 23, 2010

Beijo-relógio



Tempo é mistério
Pode ser breve e também eterno
Se há prazer, ele voa
Na dor, se amontoa
Por vezes pode parar.
No momento do beijo,
É assim mesmo que se dá
Tudo em volta se cala
E os segundos deixam de andar
De repente, o despertador toca
Sem o trrrim que irrita e choca
Dele vem um ritmo pulsante
Tum-tum-tum do coração amante
Prévia do amor etéreo
Que não viveu de beijo errante
Nasceu de beijo-relógio
Aquele que dispara fagulhas
E explode em lábios apaixonados.
E o sobrenatural acontece
Palavras ditadas pelo acaso,
Formam o pedido tão esperado:
Amor, quer casar comigo?
Sim, é a resposta imediata
E mais uma vez o tempo pára
Para em breve voltar a voar
Os preparativos se foram
A festa começará
União e sacramento
Cerimônia e comemoração
Amor eterno, seu dia é hoje
Receba as bênçãos e não perca o doce
Permita-me fazer meu amado feliz
Nunca deixe minha relação por um triz
Beijo-relógio sempre acione
Minha pele, meu olhos, meu sangue
E deixe nosso sentimento em abrigo
Em um campo de força, fora de perigo

março 09, 2010

A chegada dos 30


Os 30 anos chegaram
Não tive como freá-los
360 meses voaram
Que vento arrancou as páginas do meu calendário?
Aconteceu enquanto eu dormia?
Sorrateiramente roubaram-me alguns dias!
O que fiz até agora?
Como pude ignorar minhas horas?
Não plantei árvore,
Não escrevi um livro,
Não tive um filho
O que deixei pelo caminho?
Sorrisos, muitos! E gargalhadas também.
Ri de alegria, de nervoso, de mim mesma
Lágrimas, enxurradas delas!
Chorei por amor, emoção, tristeza e falta de compreensão
Amigos. Infelizmente também deixei alguns neste trajeto.
Escassez de tempo, falta de zelo e a vida seguiu no seu desassossego
E agora? O que farei? Estarei alerta para a passagem dos dias?
Acordo, engato a rotina
Vou vivendo enquanto durar a gasolina
Não sou motorista, sou passageiro
Por vezes me jogam no bagageiro
Tic-tac-tic-tac
O relógio não pára
Parece gritar que agora é a hora
De casar
Ter um filho
Ser promovida
É agora que a vida se apressa
E só o que sinto
É que estou atrasada à beça

fevereiro 04, 2010

Encontros e Desencontros


Era uma tarde de sol a pino quando dois amigos se cruzaram na praia.
Ela correndo, adrenalina nas veias. Era sexy, exuberante, seus olhos brilhavam. Ele estava sereno, admirando o mar, passeando calmamente, olhar ao longe.
Ela tinha o coração disparado, sempre eufórica. Ele, com todas as emoções sob controle, estava feliz.
Ele sugeriu um almoço, ela não ouviu. Não tinha fome. Também não sede e nem sono. Vivia com e para um único foco.
Na sua correria desenfreada, não conseguia enxergar, avaliar e nem parar para pensar. Respondia aos estímulos automaticamente.
Em meio a uma discussão, se desesperava. Sua respiração não era pausada, estava sempre sem fôlego.
Dormia porque era necessário, mas queria ter sempre seu objetivo por perto. Às vezes se distanciava dele, mas seu desejo era uma obsessão. Na sua cabeça, só cabia um pensamento, que tomava seus sonhos e pesadelos.
Tinha muitas atividades, mas vivia com uma idéia fixa, que fazia com que todo o resto fosse menos importante. Fazê-la enxergar o mundo por outra perspectiva era impossível. Estava cega para tudo que ocorria ao redor.
Um dia, de repente, o pior aconteceu. Inconsolável, foi obrigada a desistir da sua meta. Apesar de todos os seus esforços, não conseguiria atingi-la sem um parceiro. Definitivamente esta não era uma decisão que ela poderia tomar sozinha. Aceitou que esse não era o seu destino e preferiu se sufocar. Ficará apenas na lembrança dos que a conheceram na época de sua euforia.
Com esta dolorosa experiência, amadureceu e, já transformada, um novo encontro aconteceu.
Em um belo dia de outono, sol ameno, sob o céu de um azul irreproduzível, ele lhe disparou um olhar vivo e hipnotizador. Ela, então, resolveu lhe falar:
- Amor, decidi amadurecer. Como é bom ter a oportunidade de te reencontrar e rever a chance de viver como você! - Sério, paixão, vai largar o vício da adrenalina e as fortes emoções?
- Sim, quero um porto-seguro. Já não agüento mais os ápices e abismos.
- Então, querida, seja bem-vinda. Nada mais bonito que a transformação da paixão em amor. Esta é sua única maneira de ganhar a eternidade!
- Obrigada, amor. Você não se arrependerá, farei uma bela história em seu nome.
E, a partir deste encontro, a paixão desistiu de correr de praia em praia em busca de aventuras, se rendeu ao amor e pôde, enfim, construir o seu castelo.

janeiro 26, 2010

A mulher no espelho



Anali, advogada, 30 e poucos anos (esses poucos são segredo de Estado, não revelados nem sob tortura). Profissional competente, sem filhos, vaidosa ao extremo. Gasta fortunas com cosméticos e tudo que envolva estética.
Sua rotina é pesada. Acorda às 5h e às 6h já está na academia correndo para fugir das celulites e dos quadris avantajados. Volta para casa e engole seus suplementos, já a caminho do banho para não se atrasar. Maquia-se no carro indo para o trabalho, sem tempo nem para respirar.
Enfim, chega ao escritório e aproveita o tempo no elevador para, finalmente, relaxar. Enquanto o computador liga, pega um café preto com gotas de adoçante, seu único combustível até a hora de almoçar.
E-mails não param, o celular toca a todo minuto, tem um projeto para entregar! Meu Deus, vai dar tempo de almoçar?
Ufa, 14h, projeto finalizado, uma saidinha rápida para se alimentar. Escolher o prato é prático, afinal, sua dieta permite-lhe apenas um grelhado com salada verde, sem azeite, só vinagre, para não engordar. Refeição finalizada, voa ao escritório, a reunião já vai começar.
Ai, que reunião inútil, ela pensa, e eu com tantas coisas para fazer.
Fim da reunião, mais um pouco de café para disfarçar a fome que bate. Dá um pouco de culpa, afinal, café escurece os dentes. Credo, melhor se cuidar. Magra com dentes feios, hum, nada bom! Bebe o café, mas vai escovar os dentes para amenizar o crime.
Durante a tarde, muita água: desintoxica, zero calorias, não causa nenhum mal. Perfeito!
Sai do escritório às 19h, considerando um cenário otimista. Fez tantas coisas, o dia foi tão intenso, que até se esqueceu que era segunda-feira, dia da drenagem. Drenagem na segunda é providencial. Alivia o peso na consciência dos excessos do fim-de-semana. Excessos que, em analilês, significavam um mini brigadeiro a que ela não resistiu na festinha de seu sobrinho.
Chega em casa e toma um banho. Desta vez com calma, relaxamento merecido.
Para jantar, ainda pensando no brigadeiro que se depositou no seu abdômen, decide tomar apenas uma sopinha. A parte boa é que sopa não suja nada, apenas um prato e uma colher (tudo tem seu lado bom, viu?). Então, lava a louça com luvas para não ressecar as mãos e não estragar seu esmalte. Só poderá ir à manicure no fim de semana.
Fim do dia, sensação de missão cumprida: academia, dieta, drenagem. Epa! Faltava ainda a rotina de cremes: hidratante corporal, anti-rugas para a área dos olhos, outro para o restante do rosto, creme anti-envelhecimento para mãos.
Olhou a hora, eram 23:30h, ainda precisava ler seus e-mails pessoais. Lembrou que não ligou para a sua amiga de novo, esqueceu de marcar o médico, geladeira vazia, amanhã é dia de supermercado. Anota tudo, não pode esquecer.
Ai que fome! Melhor dormir para não ceder à barriga roncando.
Dormindo sonha com Ilana, a mulher real, cheia de desejos e vontades que não podem ser saciadas por Anali, a mulher que encontra todos os dias no espelho.
Anali é exigente ao extremo: quer pele sem rugas, glúteos sem celulite, barriga reta, zero de culotes e uma eficiência profissional reconhecida por todos ao redor.
A advogada acorda de seu sonho, Ilana está no seu RG, mas adotou Anali como estilo de vida.