
Não fui do tipo de menina que acreditava em contos de fada. Nunca acreditei que seria salva por um príncipe encantado e que minha vida seria um inacreditável “felizes para sempre”. Nunca vi o encontro amoroso como única e suficiente causa da felicidade.
Quando criança, não brincava de bonecas e nem de casinha. Gostava de jogos de estratégia, de conhecimentos gerais, brincava de pique, queria estar cercada de amigos. Também busquei ser a nerd do colégio em prol do sonho de me tornar uma profissional bem sucedida.
Além de independente, queria ser livre para conhecer o mundo e encontrar pessoas, lugares, comidas, culturas exóticas que ampliassem minha cabeça e deixassem fluir minha imaginação. Enfim, estava mais para Mulher Maravilha (sem os super poderes) do que para Cinderela.
Em 2008, alguma coisa mudou e não foram os meus sonhos Foi a percepção de que posso sonhar acompanhada. No dia 19/11/2008, eu e o Fred marcamos a data do nosso casamento, o dia que se tornou o MEU conto de fadas!
Sábado, 01.05.2010 – Acordei cedo, coloquei o nome das amigas solteiras na bainha do meu vestido. Na anágua, dois lacinhos azuis. Não queria burlar nenhuma tradição. Usei “
something old, something new, something borrowed, something blue”
Parti para o
Sheraton com meu pai herói ao lado. Lá uma varanda de frente para o mar me esperava. Logo chegariam meu amigo e milagroso
Gilson, minha mammy e minha tia-madrinha.
Passei a tarde me preparando para a grande noite, aquela planejada mais de 400 dias antes. Foi um ritual de cuidados: cabelo, maquiagem e, aos poucos, me transformei na princesa que nunca sonhara ser.
Já pronta, desci para as fotos. Me senti uma modelo que, afinal, são as princesas modernas. Muitos cliques e chegou a hora de ir. Minha mãe e minha tia – lindas – partiram na frente. Encontrei meus sogros e primos que estavam hospedados no mesmo hotel e, de motorista, fui para a
Vale da Boa Vista.
Meu pai e a
Carolina Pires, fotógrafa premiada, amiga e fiel escudeira, foram comigo.
Chegando à casa de festas, fui levada para a suíte. Estava vivendo um sonho que, embora nunca tivesse povoado a minha imaginação, se tornou realidade.
Não sei se foi obra do acaso, mas tenho certeza de que houve uma mãozinha de Deus e do amor. Amor com todas as letras, de todas as formas. Amor de pais, de filha, de esposa, de marido. Amor de amigos, de parentes, de todos que estavam presentes.
Na suíte, me senti como Rapunzel, presa. Me agoniava não poder participar de tudo. Deixei a porta entreaberta e deixei a imaginação voar. Com as músicas, que ainda ecoam na minha cabeça, imaginei meu noivo e futuro marido chegando ao altar. Imaginava cada passo enquanto tocava St Preux Divertissement. Depois, minha mãe e padrinhos, com “All you need is love”na versão do filme “Love Actually”. Após minha daminha linda e o meu pajem gentleman entraram ao som de “Somewhere over the rainbow”.
Enfim, chegou a hora da marcha nupcial. Só neste momento fui liberta da torre e pude participar da festa. Com meu pai ao meu lado, eu só via sorrisos, cliques e brilho nos olhos. Tudo isso vinha em minha direção. Era impossível não sorrir. Atravessei o tapete vermelho sem deixar de sorrir um minuto sequer. Meu noivo me esperava lá na frente... Que sonho! Que sensação indescritível!
A cerimônia foi breve, trocamos as alianças com I’m yours, de Jason Mraz e saímos com Oh, happy day tocando. Realmente não poderíamos ter escolhido uma música melhor. Saí com o marido ao lado, aliança na mão esquerda e o buquê como troféu. Meu prêmio pela grande conquista que é entrar em uma outra fase da vida!