maio 13, 2010

Crônicas de um casamento (o meu) – Parte II



Começamos esta nova vida com um brinde na suíte, mas queríamos começar a festa logo, então não demoramos muito por lá. Descemos as escadas para as fotos com pais e padrinhos.

Antes, uma surpresa para pessoas tão especiais: entregamos caixinhas com lembranças e cartas para pais, daminha, pajem e padrinhos, as pessoas mais importantes das nossas vidas, com quem escolhemos compartilhar o momento no altar.

Pausa para falar das caixinhas: meu noivo (ou namorido, como eu costumava chamá-lo) preparou as caixinhas ele mesmo: ele pintou, forrou, colou a foto, as nossas iniciais. Ele decidiu o que deveríamos colocar dentro. Ele merece muitos parabéns por esse e outros pontos altos da festa, como vocês vão acompanhar a seguir.

As fotos tradicionais em volta do bolo foram tiradas sob a emoção causada pelas cartas e a ansiedade pelo início da festa. Nesta afobação, esquecemos de tirar fotos na mesa de bem-casados e na mesa de chá e chocolate. Estas vão ficar sem registro, sem arrependimento nenhum. Queríamos comemorar este projeto que demorou mais de um ano para se concretizar.

Então, em poucos minutos, voltamos para a festa. Quando chegamos ao salão, pétalas caíram do céu para abençoar o casal do qual eu fazia parte. Nossa! Quem diria? Estado civil: casada!

Nossa primeira música foi Everything do Michael Bublé. Não treinamos nada, mas achei lindo mesmo assim (claro que sou uma opinião suspeita...)

Depois de um pequeno discurso de agradecimento, abrimos nosso boteco com a máxima “nunca fiz amigos bebendo leite”. Para a surpresa de todos os convidados, começou o samba do Nó molhado, mais um ponto alto proporcionado pelo meu marido.

Era o nosso casamento, com o nosso jeitinho, nossos amigos e a descontração que queríamos passar. Cada detalhe do boteco foi bem pensado: avental dos garçons e logo de madeira inspirada na Brahma (idéias do namorido), caixinhas de fósforo para batucar (sugestão minha), mosaico “Bar doce bar”, rótulo da cerveja, bolachas de chopp e o letreiro com a nossa logo. O letreiro foi presente de um amigo do Fred (Leandro Peres) e a logo, de um amigo meu (Vicente Sarmento). Mais perfeito, impossível: amizade e amor merecem esta cumplicidade. Também teve São Jorge, feijoada, comidinhas de boteco, cachacinhas.

Pensou que as surpresas do meu marido acabaram? Nada disso! Ele pegou o pandeiro e o microfone e entrou no grupo. Me fez um homenagem e cantou a nossa música (Água de chuva no mar).

Depois de 1 hora de samba, a pista continuou bombando durante todo o tempo. Eu parecia pipoca, de grupo em grupo, querendo dançar com todos e agradecer a presença de todos. Queria ter registrado cada momento, cada pessoa. Ainda não sei se os fotógrafos e cinegrafistas conseguiram. Mas o sentimento só eu posso registrar e é isto que estou tentando fazer ao descrever cada detalhe, cada música...

Sambamos, dançamos hip hop, funk, axé e até a Macarena coreografada. Este foi mais um ponto alto proporcionado pelo meu marido: por idéia dele fizemos o site com a equipe do icasei. Lá, ele fez uma enquete se deveríamos ou não tocar a Macarena e a maioria votou pelo sim! É, não tinha jeito: fomos lá para a frente e dançamos a música inteirinha com a festa toda acompanhando os passos.

Depois da Macarena, vale tudo! Teve Wando, Sidney Magal, dançamos com flores na boca... é, o amor é brega :P

Meu buquê deixei para Nossa Senhora da Conceição e joguei um Santo Antônio lindo que foi mirado (quase entregue em mãos) da minha amiga e madrinha Cris.

Já eram quase 2h da manhã, quando consegui arrastar meu marido par o hotel. Por mim, esta noite não acabaria nunca...

Nossa história deu samba! Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, meu sonho foi feito de samba, de samba pra gente sambar.

maio 10, 2010

Crônicas de um casamento (o meu) – Parte I



Não fui do tipo de menina que acreditava em contos de fada. Nunca acreditei que seria salva por um príncipe encantado e que minha vida seria um inacreditável “felizes para sempre”. Nunca vi o encontro amoroso como única e suficiente causa da felicidade.

Quando criança, não brincava de bonecas e nem de casinha. Gostava de jogos de estratégia, de conhecimentos gerais, brincava de pique, queria estar cercada de amigos. Também busquei ser a nerd do colégio em prol do sonho de me tornar uma profissional bem sucedida.

Além de independente, queria ser livre para conhecer o mundo e encontrar pessoas, lugares, comidas, culturas exóticas que ampliassem minha cabeça e deixassem fluir minha imaginação. Enfim, estava mais para Mulher Maravilha (sem os super poderes) do que para Cinderela.

Em 2008, alguma coisa mudou e não foram os meus sonhos Foi a percepção de que posso sonhar acompanhada. No dia 19/11/2008, eu e o Fred marcamos a data do nosso casamento, o dia que se tornou o MEU conto de fadas!

Sábado, 01.05.2010 – Acordei cedo, coloquei o nome das amigas solteiras na bainha do meu vestido. Na anágua, dois lacinhos azuis. Não queria burlar nenhuma tradição. Usei “something old, something new, something borrowed, something blue

Parti para o Sheraton com meu pai herói ao lado. Lá uma varanda de frente para o mar me esperava. Logo chegariam meu amigo e milagroso Gilson, minha mammy e minha tia-madrinha.

Passei a tarde me preparando para a grande noite, aquela planejada mais de 400 dias antes. Foi um ritual de cuidados: cabelo, maquiagem e, aos poucos, me transformei na princesa que nunca sonhara ser.

Já pronta, desci para as fotos. Me senti uma modelo que, afinal, são as princesas modernas. Muitos cliques e chegou a hora de ir. Minha mãe e minha tia – lindas – partiram na frente. Encontrei meus sogros e primos que estavam hospedados no mesmo hotel e, de motorista, fui para a Vale da Boa Vista.

Meu pai e a Carolina Pires, fotógrafa premiada, amiga e fiel escudeira, foram comigo.

Chegando à casa de festas, fui levada para a suíte. Estava vivendo um sonho que, embora nunca tivesse povoado a minha imaginação, se tornou realidade.

Não sei se foi obra do acaso, mas tenho certeza de que houve uma mãozinha de Deus e do amor. Amor com todas as letras, de todas as formas. Amor de pais, de filha, de esposa, de marido. Amor de amigos, de parentes, de todos que estavam presentes.

Na suíte, me senti como Rapunzel, presa. Me agoniava não poder participar de tudo. Deixei a porta entreaberta e deixei a imaginação voar. Com as músicas, que ainda ecoam na minha cabeça, imaginei meu noivo e futuro marido chegando ao altar. Imaginava cada passo enquanto tocava St Preux Divertissement. Depois, minha mãe e padrinhos, com “All you need is love”na versão do filme “Love Actually”. Após minha daminha linda e o meu pajem gentleman entraram ao som de “Somewhere over the rainbow”.

Enfim, chegou a hora da marcha nupcial. Só neste momento fui liberta da torre e pude participar da festa. Com meu pai ao meu lado, eu só via sorrisos, cliques e brilho nos olhos. Tudo isso vinha em minha direção. Era impossível não sorrir. Atravessei o tapete vermelho sem deixar de sorrir um minuto sequer. Meu noivo me esperava lá na frente... Que sonho! Que sensação indescritível!

A cerimônia foi breve, trocamos as alianças com I’m yours, de Jason Mraz e saímos com Oh, happy day tocando. Realmente não poderíamos ter escolhido uma música melhor. Saí com o marido ao lado, aliança na mão esquerda e o buquê como troféu. Meu prêmio pela grande conquista que é entrar em uma outra fase da vida!