julho 13, 2010

Folhas



Quando prendi meus pés na terra?
Por que deixei secar o piche?
Quão funda está a raiz?
Tento me soltar, é em vão
Que tal me aproveitar da seiva então?
Sorver alimento, inspiração
O caminho à copa é tão longo
Folhas acabam por secar
Nutre-se a raiz, a razão
Sufoca-se a imaginação
No controle, o cérebro tirano
Prende meus sonhos em teias
Nas nervuras da vida real
Eu quero mais que isso
Oxigenar os neurônios
Quero ar, vôo, voar
Um balde para chutar
Quero me livrar da angústia
Preciso me desafiar
Quero um sonho apaixonante
Uma meta que me levante
Que traga brilho ao meu despertar
Fazer da vida uma curva ascendente
Ganhar as lutas sem cerrar os dentes
Quero aproveitar o presente
Sem o ônus do futuro à frente
Sem a ameaça que vive lá
Lá moram os quilos da torta de hoje
A fatura do cartão de crédito
O preço do balde que chutei
Culpa! Não quero este peso nas costas
Quero viver contente
Sempre cercada de gente
Com muita gargalhada
Ficar mais relaxada
Quero curtir meu marido
Sussurros ao pé do ouvido
Quero agarrar pai, mãe, irmã
Quero abraçar meus amigos
Quero mais prazer, menos cobrança,
Mais folha, menos raiz
Quero a espontaneidade da criança
Quero me permitir, me libertar da sina
Do excesso de responsabilidade que me domina
Da falsa segurança que me prende
Do martelo que me faz de prego
Das batidas que me fincam ao chão
De tudo que me vetei desde menina

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