setembro 26, 2012

Cacos e cura


Relâmpagos e trovões
Anteciparam-se à chuva
Agora ecoam aí dentro
Coração nublado
Magoado
Em alerta
Não houve culpa
Nem dolo
Amar não é pecado
Então por que pena?
Vai saber! Não importa.
Houve a sentença? Cumpra-a
Tranque-se
Chore
Lave a alma
Mas não se condene à prisão perpétua
Tampouco à pena de morte em vida
Transforme cacos em adubo
Deixe outro amor nascer
Viver sem se entregar é cruel
Não é vingança,
Tampouco defesa
É privação
Faz isso não.

setembro 18, 2012

Amor-silêncio


Amo em silêncio
Não o silêncio do amor platônico
Nem o do não correspondido
Amo em silêncio
Curto ouvir só nós dois
O ritmo da respiração
Os batimentos acelerados
O ronronar do descanso em seus braços
Amo em silêncio
Porque o amor por si só é música
Melodia, ritmo e letra.
Temos um alfabeto só nosso
Ideogramas criados a dois
Aventuras, sonhos, fantasias
Segredos de alcova, poesia
No silêncio dos seus olhos
Encontro o brilho dos meus
E nesse vai e vem de mensagens
Está a minha felicidade


julho 24, 2012

Pés e pais


Ando pesquisando tatuagens, embora ainda me falte coragem para fazer uma.
Nesta minha busca, encontrei uma mulher com as inscrições "pai" e "mãe", uma em cada pé. Meu primeiro pensamento foi "mas logo nos pés?!". O estranhamento durou um segundo. Logo depois, fez todo sentido para mim.
Os pés (e os pais) são a nossa base, fundamentais no nosso caminho. Com eles vamos longe. Eles nos aceleram e estimulam ou nos freiam e advertem.
Os pés são pares, mas não idênticos. Estão juntos, lado a lado ou se alternando na liderança. Enquanto um está no ar, o outro se faz raiz. Mas, independente de qualquer coisa, entram sempre em acordo. Do contrário, caímos, titubeamos, nos desequilibramos.
Sem os pés, não nos erguemos depois da queda, não enfrentamos o mar revolto.
E, toda essa analogia vale para os meus pais, minha base. Eles me ensinaram a caminhar e, com eles, aprendi o que é cumplicidade.
Hoje o casamento dos meus pais completa 41 anos e este casal me prova, dia após dia, que é possível viver anos lado a lado, com tropeços e quedas, mas unidos e felizes.
Sou muito grata a Deus e a eles por me permitirem fazer parte desta união e por me ensinarem que casamento não é uma instituição falida, que pode (e vai) dar certo, que o amor pode ser eterno. Tropeços e quedas virão mas quem tem os pés no chão enfrenta ondas e marolas.
Amo vocês e amo meu marido.
Obrigada por tudo! Parabéns!

junho 15, 2012

Amor Míope


A paixão é cega, o amor é míope
Paixão inebria, confunde, hipnotiza
Amor ameniza, acolhe, releva
Quem ama vê os defeitos de longe, bem embaçados
De perto, o coração não os mostra
Com lentes do amor não se vê a bagunça no quarto
Nem a pasta de dentes com a tampa aberta
O amor não se irrita com a mania de dormir com a luz acesa
E não se importa com a TV ligada à toa
O amor faz mulheres se interessarem por MMA
E curte a diversão do outro até quando não vê nenhuma graça
(Que delícia é a gargalhada de quem se ama!)
O amor evita discussões à toa
É míope sim, mas de perto enxerga muito bem
Vê o brilho nos olhos
A falta de ar
Palavras não ditas
Cumplicidade no olhar
Carinho, cuidado, desejo
De perto, só se vê o que vale à pena
Cegueira é diferente
Esconde até faltas graves
O amor conhece amor próprio
E, portanto, não aceita injustiça
Nem falta de caráter ou falsas desculpas
Isso é artimanha da paixão
O amor perdoa, mas murcha
Afinal miopia tem cura
O amor é pé no chão, cabeça nas nuvens e coração aos pulos
Os pés no chão conhecem a distância da sua miopia
A cabeça nas nuvens para os sonhos a dois
E o coração pulsante para que o desejo nunca chegue ao fim
Amor míope. Perfeito nas suas imperfeições.

maio 13, 2012

A difícil decisão de (não) ser mãe


Serei mãe?
Sou egoísta. Quero viajar, malhar, curtir meu maridinho, ler e dormir sem ninguém para atrapalhar. Ter os fins de semana para ser livre e fazer só o que desejar.
Sou fútil. Gosto de gastar com roupas, sapatos, botox, maquiagem e tudo mais que pintar.
Sou covarde. Se ele ficar doente, se me desafiar, se chegar bêbado em casa, se envolver com drogas. Como lidar?
Amo minha independência, não quero dependam de mim. Amo ser livre! No casamento dá para negociar. É um relacionamento entre adultos, somos maduros. É só conversar, sem culpa. Hoje vou sair com as amigas. Ok, sem problemas, vá!
Fato é que nenhum adjetivo positivo é associado a mulheres que abrem mão de serem mães. E aí? Por isso mudarei de opinião? Não, jamais por isso.
Mas, a cada ano que passa, fico com mais medo de me arrepender da decisão. Nunca me chamarão de mãe, não acompanharei o crescimento de uma criança, o olhar brilhante da descoberta. Não me verei em ninguém, não terei o desafio de educar alguém. Não verei o reflexo do meu marido em uma mistura de nós dois. Não vibrarei a cada nova palavra falada, não acompanharei a alegria de alguém que dá os primeiros passos, que aprende a ler e escrever. Não, não, não! São tantos nãos que ainda não tomei minha decisão.
Já pensei em lidar com os riscos. Esquecer de tomar o remédio de vez em quando e aí... se for da vontade de Deus, quem sabe!? Medrosa, covarde! Nem para isso tenho coragem.
Então, hoje, uma homenagem a todas as mulheres que abriram mão de si mesmas, de alguns sonhos, de noites de descanso e de muito mais por uma criaturinha que faz tudo valer a pena apenas abrindo um sorriso e dando uma gargalhada gostosa.  Feliz dia das mães! Quem sabe um dia me uno a vocês.

abril 28, 2012

Ouro em grãos

 
Rotina
Grãos de areia
Escorrem das mãos
Sem controle
Sem freio
Dias nunca voltarão
Às vezes, de tão finos,
Passam sem atrito
Sem animação

Vida
Grãos de ouro
Seja sábio
Olhar desperto
Ouvido aguçado
Permita-se cair em tentação
Chega um dia
Passa a onda
Sem prévio aviso
Todos fogem das mãos

Vida, dê valor
Rotina é opção

abril 21, 2012

Encontro


Noite na Lapa, 22 de abril
O samba nos uniu
Circo Voador, Fundição Progresso
Cenários da história que lhe confesso
Nossas almas se encontraram
Como nunca antes puderam
Livres pela primeira vez
Juntos como nunca antes
Praia, samba, convicções
Afinidades desconhecidas até então
Nunca houve uma oportunidade a sós
Nem mesmo um "sós" no meio da multidão
Até que chegou o dia D
O mundo ao redor sumiu
E nosso encontro se deu
Eu simplesmente sabia
Sim. Eu sabia que era ele
O homem com quem eu me casaria
Duas vidas em uma noite
Confidências, descobertas
Nenhuma noção de tempo
A lua partiu, nasceu o sol
Os fogos de São Jorge ecoaram
A razão voltou
Já era de manhã
A vida chamava
Era chegada hora de se separar
Separação? Impossível!
Quando almas se encontram
Os corpos não mais se distanciam
E foi assim que chegamos aqui
E assim iremos ao infinito
Juntos, unidos, pra sempre
Por essa e pelas próximas vidas
Felizes como nestes quatro anos
Vivendo, convivendo
Somando, dividindo
Por toda a eternidade