A paixão é cega, o amor é míope
Paixão inebria, confunde, hipnotiza
Amor ameniza, acolhe, releva
Quem ama vê os defeitos de longe, bem embaçados
De perto, o coração não os mostra
Com lentes do amor não se vê a bagunça no quarto
Nem a pasta de dentes com a tampa aberta
O amor não se irrita com a mania de dormir com a luz acesa
E não se importa com a TV ligada à toa
O amor faz mulheres se interessarem por MMA
E curte a diversão do outro até quando não vê nenhuma graça
(Que delícia é a gargalhada de quem se ama!)
O amor evita discussões à toa
É míope sim, mas de perto enxerga muito bem
Vê o brilho nos olhos
A falta de ar
Palavras não ditas
Cumplicidade no olhar
Carinho, cuidado, desejo
De perto, só se vê o que vale à pena
Cegueira é diferente
Esconde até faltas graves
O amor conhece amor próprio
E, portanto, não aceita injustiça
Nem falta de caráter ou falsas desculpas
Isso é artimanha da paixão
O amor perdoa, mas murcha
Afinal miopia tem cura
O amor é pé no chão, cabeça nas nuvens e coração aos pulos
Os pés no chão conhecem a distância da sua miopia
A cabeça nas nuvens para os sonhos a dois
E o coração pulsante para que o desejo nunca chegue ao fim
Amor míope. Perfeito nas suas imperfeições.


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